Nelma Kodama: doleira presa em operação contra o tráfico de drogas chega nesta quarta à Polícia Federal de Salvador

RIO — Presa em um hotel de luxo em Portugal, a doleira Nelma Kodama será encaminhada para o Brasil e desembarca nesta quarta-feira em Salvador. Ela foi detida pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira por suspeita de envolvimento em esquema de tráfico internacional de drogas, no âmbito da Operação Descobrimento.

Nelma é ex-namorada do também doleiro Alberto Youssef e ganhou notoriedade por ter sido uma das delatoras da Operação Lava-Jato, pela qual foi condenada a 18 anos de prisão em 2014.

O advogado de Nelma, Adib Adbouni, afirmou ao GLOBO que sua cliente será encaminhada diretamente para a PF em Salvador, base da operação contra tráfico internacional de drogas. Nelma está presa preventivamente.

A operação também prendeu o lobista Rowles Magalhães, ex-namorado de Nelma. Ele está detido na Polícia Federal em São Paulo.

Adbouni também advoga para Rowles. O defensor afirmou que vai requerer a soltura do seu cliente nesta quarta-feira.

— A Nelma não tem relação alguma com tráfico de drogas, ela só foi presa porque se relacionou por um tempo com o Rowles — afirmou o advogado. — Pelo que está nos autos e tive acesso, nada vincula a Nelma ao tráfico — acrescentou Adbouni.

Investigações

As investigações tiveram início em fevereiro de 2021, quando um jato executivo Dassault Falcon 900, pertencente a uma empresa portuguesa de táxi aéreo, pousou no aeroporto internacional de Salvador para abastecimento. Após inspeção, foram encontrados cerca de 595 kg de cocaína escondidos na fuselagem da aeronave.

A PF identificou a estrutura da organização criminosa atuante nos dois países. O grupo era composto por fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação e auxiliares, transportadores e doleiros, encarregados da movimentação financeira.

As medidas judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Salvador e pela justiça portuguesa. Além de mandados de buscas e apreensão e de prisão preventiva, foram decretados o sequestro de imóveis e bloqueios de valores em contas bancárias usadas pelos investigados.

Nesta terça-feira, os agentes cumprem mandados em cinco estados brasileiros – Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, Pernambuco – e Portugal. A PF suspeita que a doleira estaria atuando na lavagem de capitais para o tráfico de drogas.

Lava-Jato

Nelma foi acusada de atuar em parceria com Youssef em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 10 bilhões em valores da época. Depois de cumprir cinco anos de pena por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa — entre o regime fechado e domiciliar —, ela se livrou em 2019 da tornozeleira eletrônica que usou por três anos.

Endividada, a doleira chegou a montar um bazar de peças das grifes mais caras do mundo, quando devia à Justiça mais de R$ 100 milhões em multas pelos crimes de sonegação fiscal, em reparação de danos apurados pela Lava-Jato e impostos retroativos. Nos tempos de milionária, ela movimentava em um único mês cerca de US$ 200 milhões sem documentação.

Nelma foi presa em 2014 no âmbito da Lava-Jato com 200 mil euros na calcinha, quando tentava embarcar no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Fonte Click PB

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