Conquistas de medalhas olímpicas por brasileiros aquecem mercado do skate

A professsora Natália Carvalho, de 33 anos, passou a tarde desta sexta-feira (29) em um shopping de Contagem, na Grande Belo Horizonte, com uma missão: comprar um skate para o sobrinho, Eduardo Carvalho, de 3 anos.

Apesar da pouca idade, o garoto decidiu que quer praticar o esporte após ver Rayssa Leal, de 13 anos, ser medalha de prata nas Olimpíadas Tóquio 2020, na última segunda-feira (26), se tornando a mais jovem a alcançar o feito pelo Brasil.

— Eu estava incentivando o Eduardo a andar de patins comigo, mas depois de ver a competição ele disse que quer skate.

O pequeno não foi o único inspirado pelos atletas olímpicos, que também têm Kelvin Hoefler, também medalha de prata na categoria street. Comerciantes de Belo Horizonte e região metropolitana, perceberam um aumento nas vendas e procura por itens relacionados ao esporte nesta semana. Concéssio Cançado, de 59 anos, dono da Fly By Night, que abriga uma escola e uma pista para prática em Contagem, conta que o reflexo foi imediato.

— Enquanto a Rayssa ainda estava no pódio, nós já começamos a receber mensagens no telefone da loja.

O empresário calcula que o número de ligações de pessoas interessadas dobrou. Sobre a quantidade de aulas vendidas, ele estima que o aumento foi de 40% em comparação às negociações semanais.

— Com certeza a procura foi maior para as crianças por causa da Rayssa, mas também tivemos adultos. Há skatistas que tinham parado há mais tempo e ficaram animados ao ver pessoas humildes lá no topo, como Kelvin.

Mauricio Massote, dono da Blunt Skate Park, marca que mistura escola, loja de roupas e calçados e distribuidora de peças ligadas ao mundo do skate, comemora aumento nas vendas um pouco maior:

— Foi de aproximadamente 50%.

O empresário pontua que a modalidade já vem ganhando espaço nos últimos meses devido à pandemia de covid-19, por ser uma prática individual. Mesmo assim, a estreia do esporte nas Olimpíadas, em sua avaliação, levou o tema a outras proporções.

— Nós temos os campeonatos mundiais já tradicionais, mas eles costumam ser acompanhados por quem anda [de skate] ou por simpatizantes. Já as Olimpíadas promovem uma visibilidade mundial de todos os esportes. Mesmo quem não tem nada a ver com o skate, vai assistir também.

Skate para todos

Os dois empresários não titubeiam em garantir que a modalidade é indicada para pessoas do público infantil ao adulto. Geralmente, as aulas são aconselhadas para crianças com idade a partir de 3 ou 4 anos, como observa Concéssio Cançado.

— Todo mundo consegue. É só estar em uma condição física aceitável e ter disposição.

Atuando no ramo há 20 anos, Mauricio Massote observa que o interesse das mulheres pela modalidade não é tanta novidade, embora a vitória de Rayssa Leal tenha aumentado os holofotes sobre a participação feminina nos últimos dias. Em sua escola, as garotas representam 35% dos alunos.

Na avaliação do empresário, os jogos olímpicos ainda devem levar mais movimento ao setor.

— O melhor está por vir. Tem muita gente viajando devido às férias escolares. Então, quando voltar, vamos notar a diferença.

Fonte Click PB

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